As barreiras ideológicas e a realidade

Em artigo no Espaço Aberto, pag. 2 do jornal o Estado de São Paulo, do dia 2 de fevereiro de 2016, do Sr. Xico Graziano, há um aspecto de suma importância para o debate que estamos desenvolvendo em nosso município sobre a revisão do Plano Diretor.

O artigo acima citado aborda o confronto entre as visões da preservação do meio ambiente e a de desenvolvimento tecnológico e econômico.

É inegável o fato de estarmos convivendo hoje com inúmeras aplicações do conhecimento adquirido nas áreas de biotecnologia genética, que garantem a ampliação do tempo de vida e uma melhora na qualidade da vida. O outro lado da moeda reflete a preocupação com os efeitos do uso contínuo de novas terapias, que pode estar criando para as futuras gerações problemas que irão exigir maiores investimentos na sua solução, além, é claro, de causar danos irreparáveis para os indivíduos e para a sociedade.

Outro campo em que a sociedade internacional vem se debatendo encontra-se na produção agrícola e na pecuária. Estes dois segmentos da economia mundial são, sem dúvida alguma, áreas sensíveis aos interesses comerciais, bem como, poderiam amenizar tanto a degradação ambiental quanto a fome que atinge um elevado percentual da população mundial, em especial, no Sudeste Asiático, na África, na América do Sul, Caribe e América Central.

Este antagonismo nem sempre favorece o avanço tecnológico e social que deveria advir do conhecimento obtido exatamente diante das dificuldades que a sociedade encontra no seu processo contínuo de desenvolvimento, na forma de novos desafios que surgem através das demandas econômicas e sociais.

Talvez você leitor esteja se perguntando: “o que tem a ver o problema mundial com os problemas do nosso município?”. Acredito que a questão central reside nas visões que serão confrontadas nos debates públicos que darão continuidade a este processo. O que está ocorrendo em nossa cidade é um reflexo do que acontece em todo o planeta, o confronto entre visões de mundo, permeado de interesses pessoais, aonde o diálogo de surdos estabelece um campo de forças, no qual  buscam fazer prevalecer a sua visão, sem se dar conta, de que a somatória resultante deste embate tende a zero quando não, negativa para a sociedade.

O processo a ser seguido poderia ser outro, um modelo A, B, C, D e tantos outros, porém, a resultante será sempre a mesma se os indivíduos estiverem encastelados em suas visões, defendendo a ferro e a fogo o seu posicionamento sem ouvir e o que é mais importante, refletir sobre as demais visões apresentadas.

O exercício da democracia demanda um grau de maturidade amplo, o qual só poderá ser alcançado através da experiência isto é, através do uso das prerrogativas que a democracia propicia aos cidadãos.  A participação efetiva na vida da cidade requer que o cidadão seja informado e/ou tenha os meios para buscar essas informações, mas não o exime da responsabilidade de checar a validade das mesmas e refletir sobre o que lhe é apresentado.

O desenvolvimento da sociedade humana deu-se através da necessidade em superar os obstáculos encontrados ao longo da sua história. O conhecimento é fruto da busca constante em superar os limites, quebrando paradigmas na criação de novas soluções para velhos problemas. Creio que devemos encarar os problemas a partir de novos paradigmas, encontrar novas soluções que possibilitem assegurar o desenvolvimento do município de forma sustentável, viabilizando um projeto participativo, aonde os pontos de vista possam ser amplamente debatidos, onde as ideias possam vicejar favorecendo o surgimento de alternativas capazes de atender ao dilema do crescimento econômico com a manutenção e melhoria da qualidade de vida em nossa cidade. Encarar a construção da nossa cidade como um desafio para propiciar o desenvolvimento de novas ideias, a utilização de novas tecnologias, tendo como meta uma vida digna e um futuro adequado às futuras gerações.

A busca por alternativas criativas visando estimular a inovação em todas as áreas da vida pública não deveria ser uma quimera, pode e deve ser a razão da participação do cidadão na busca por uma cidade capaz de enfrentar os problemas do passado, do presente e especialmente, estar preparada para responder aos desafios que o futuro lhe reserva.

Vittorio Gilberto Zottino