O quê a vida no planeta tem a ver com as abelhas?

A diminuição no número de abelhas e outros polinizadores poderá representar um aumento no número de mortes e na diminuição da agricultura.

Você já notou que diminuiu o número de abelhas ao seu redor ? Se não, passe a notar essa mudança à partir de agora e se preocupe pois o declínio mundial dos polinizadores – principalmente abelhas e outros insetos – pode causar até 1,4 milhões de mortes adicionais por ano, um aumento de mortalidade mundial de quase 3%, segundo pesquisadores.

Tudo porque, esse aumento na mortalidade é resultado da combinação de um aumento da vitamina A e ácido fólico (vitamina B9 ou ácido fólico), vitais para mulheres grávidas e crianças, e um aumento da incidência de doenças não transmissíveis, como doenças cardíacas, acidente vascular cerebral (AVC) e certos tipos de câncer. Estes são os fenômenos que provocam, através de mudanças na dieta, um colapso da população de polinizadores.

As deficiências em vitamina A e ácido fólico podem atingir os olhos, levando à cegueira, e causar malformações do sistema nervoso. Estes efeitos na saúde afetariam países desenvolvidos e em desenvolvimento, de acordo com a análise publicada nesta quinta-feira na revista médica The Lancet.

O “sumiço” repentino das abelhas pode ser atribuído, em grande parte às mudanças climáticas que o planeta vem passando nos últimos anos. E a previsão para os próximos anos não é nada animadora.

De acordo com um cenário de completa eliminação de polinizadores, 71 milhões de pessoas em países de baixa renda poderiam encontrar-se deficientes em vitamina A, e 2,2 bilhões que já têm consumo inadequado teriam suas contribuições reduzidas novamente. Para os folatos, seriam 173 milhões de pessoas que se tornariam deficientes e 1,23 bilhões de pessoas que veriam o seu consumo deficiente deteriorar ainda mais.

Uma redução de 100% dos “serviços de polinização” poderia reduzir os estoques globais de frutas em 22,9% frutas, legumes em 16,3% e 22,9% em nozes e sementes, mas com diferenças entre países.

Em resumo, essas mudanças na dieta podem elevar as mortes anuais globais por doenças não-transmissíveis e aquelas relacionadas à desnutrição para 1,42 milhões de mortes por ano (2,7 % da mortalidade total anual), de acordo com o estudo conduzido por Samuel Myers, da Universidade de Harvard.

Além disso, com a Fundação Rockefeller, a revista The Lancet publicou um relatório sobre as mudanças ambientais “que vão além da mudança climática e ameaçam os progressos feitos em matéria de saúde feitos nas últimas décadas”.

O sumiço das abelhas, que já foi tema de filme de ficção científica, infelizmente é uma realidade. É mais um problema que o ser humano terá que resolver à curtíssimo prazo.

Texto baseado na matéria original da Agência France Press (AFP)