Energias Renováveis também são Sustentáveis?

A água é o elemento fundamental para a existência de todos os seres vivos na Terra. O corpo humano é constituído de 70% de água e na falta dela, após 36 horas o organismo começa a entrar em colapso. Além da importância fisiológica da água, há muito tempo os homens utilizam as águas para suas atividades econômicas, construindo as cidades próximas aos rios, facilitando a captação e descarte das águas nos processos industriais.
Conforme Rodney Vecchia (2014), a água e a energia caminham juntas, sem energia não tem acesso à água, e sem água não se produz energia limpa e renovável. Com a exploração dos recursos naturais e consumo de energia a base de combustíveis fósseis, a água tornou-se progressivamente limitada. Problema potencializado pelos efeitos colaterais da crescente urbanização, das mudanças climáticas e do planeta.
O setor industrial é um dos maiores consumidores de água potável, no entanto, nem toda a água que sai da indústria em forma de esgoto, retorna limpa para o meio ambiente. O drama da escassez hídrica vem levando cada vez mais a procura das águas subterrâneas, para as necessidades biológicas em matar a sede de água ou para utilizá-la nos processos econômicos.

Para diminuir os gases de efeito estufa (GEE), o etanol está cada vez mais como foco nos debates científicos, buscando melhor eficiência, desde o melhoramento genético das espécies na extração primária do etanol a partir da fermentação do suco da cana de açúcar, até a extração do bioetanol do bagaço da cana. Porém, pouco se houve falar sobre a proteção das águas, em especial as subterrâneas nos projetos de inovações tecnológicas e distribuição das energias renováveis.

Na ótica da sustentabilidade energética, em tempos modernos, os benefícios do etanol extraído da cana de açúcar adicionado à gasolina é uma tecnologia incremental que historicamente coloca o Brasil em evidência. O paradigma do etanol como energia renovável pode se tornar um paradoxo ambiental sem as políticas de proteção às águas subterrâneas, pois a incerteza dos impactos ambientais causado por energias renováveis nas reservas de águas convergem à proposta constitucional de preservação do meio ambiente para as futuras gerações.
Portanto, a água é a esperança de mudanças de paradigmas no presente e deve estar no centro de qualquer debate realizado por diferentes atores do sistema energético contemplando as águas subterrâneas. Se a água é considerada o nosso “ouro azul”, a água subterrânea é o “tesouro” escondido que devemos preservar assim como a nossa própria vida.

Simone dos Santos Siqueira.
Bióloga e Especialista em Engenharia Ambiental
Mestranda do Instituto de Geociência do DPCT (Departamento de Política Científica e Tecnológica) da UNICAMP.
Diretora da Elo Ambiental