É possível uma cidade crescer com qualidade de vida?

As cidades de Louveira e Vinhedo vivem o dilema típico do século 21: como conciliar o crescimento com a qualidade de vida.

O crescimento planejado de nossas cidades deve passar, necessariamente, pelos moradores. É uma discussão que não deve ficar restrita apenas aos políticos de plantão e tem que se manter isenta de visões distorcidas que acham que crescimento e caos urbano são sinônimos. Com as novas tecnologias disponíveis – e uma dose de bom senso – é possível construir bairros ecológicos capazes de, ao mesmo tempo, atender as demandas do crescimento dos munícipios e garantir a qualidade de vida. Um desses exemplos é o bairro ecológico de Hammarby, na Suécia.

Hammarby está situado na cidade de Estocolmo, Suécia e obedece a uma série de rígidas normas ambientais impostas pelas autoridades locais que determina desde as construções até mesmo o transporte público. O mais interessante desse projeto é que o local estava degradado com inúmeros armazéns abandonados, habitações irregulares, com solo e água contaminados. Tudo isso, em pouco tempo, foi mudado. Quem quiser conhecer um pouco mais, pode acessar o site do projeto: http://www.hammarbysjostad.se/

De acordo com Carolina Carvalho, do blog Holística Desenvolvimento Socioambiental, “ O que caracteriza esses bairros ecológicos é o investimento massivo em transporte público. Hammarby, por exemplo, tem por meta, que 80% da população do bairro utilize o transporte público para suas atividades diárias. Não é pouco. Uma consequência disso é o aumento de áreas verdes, calçadas largas, parques,menos poluição sonora e do ar. Um verdadeiro upgrade na qualidade de vida dos cidadãos.”

Dentro do projeto de sustentabilidade, o ser humano é prioridade. Graças a isso, o bairro tem escolas para todas as idades, uma casa para idosos, clínicas de saúde, comércio e supermercados, evitando assim o deslocamento das pessoas para outros bairros em busca de serviços. Há espaço para a cultura, como teatros, bibliotecas. Tudo isso em apenas um bairro. Bom, não é ?

No caso de Estocolmo, as autoridades impuseram restrições para construção de edifícios, rodovias, planejamento urbano em geral. Associado a isso, foi estabelecida a meta de se criar um bairro com 50% a menos do impacto ambiental que gera um bairro comum. Assim, novas formas de se construir e fazer um bairro funcionar tiveram que ser buscadas, por meio de equipes multidisciplinares. Tudo isso rendeu um modelo para cidades sustentáveis, considerando lixo, água, esgoto, energia, coleta de água da chuva, telhados verdes, etc.

Faz-se necessário que as leis municipais de ocupação e preservação ambiental encontrem o equilíbrio entre o desenvolvimento e a sustentabilidade. Não basta termos áreas naturais sem dar-lhe o tratamento adequado, recuperação, preservação e manutenção, assim como, não deve ser permitido que haja ocupação do solo sem que se faça um estudo detalhado das possibilidades em gerar o menor impacto ambiental possível e, também visar a utilização de técnicas que contribuam para a melhoria da qualidade ambiental.
Exemplo os há em diferentes países e até em diversas cidades brasileiras, o caminho está na ampliação do debate entre os diferentes atores, para que se possa produzir leis que promovam a participação efetiva da sociedade, a transparência necessária, a responsabilidade dos agentes e segurança econômica e jurídica para todos os players envolvidos neste processo.

Texto base: http://holisticadesenvolvimento.blogspot.com.br/2013/07/o-bairro-ecologico-de-hammarby-suecia.html