A Discussão do Clima e o Futuro do Planeta

No final deste ano será realizada em Paris (França) a COP 21, a conferência internacional que pretende chegar a um acordo global sobre as mudanças climáticas. A proposta é que o que for decidido ali, entre em vigor até 2020, muito embora, o histórico de sucesso não é dos melhores, por exemplo, o Protocolo de Kyoto, de 1997, que pouco deu resultados.

Em 97, o principal objetivo era reduzir as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global e, consequentemente, pelas mudanças climáticas. Mas, deu tudo errado: os principais países – incluindo o Brasil e a China – ficaram de fora dessa obrigação sob a alegação que as medidas iriam prejudicar o desenvolvimento. Outro grande país poluidor, os Estados Unidos, também ficaram de fora. A conta final é conhecida: aumento de 50% na emissão de gases-estufa nos anos seguintes.

A esperança é de que agora, a conferência francesa inclua todos os países e forneça um rumo para a minimização do problema, já que acabar, seria impossível. A boa notícia é que o avanço das tecnologias e o aumento da produtividade vem colaborando para a redução dessas emissões. Na China, por exemplo, a fumaça já vem sufocando as cidades comprometendo a saúde e a economia do país. É sempre a mesma história: ou se aprende por amor ou pela dor.

Os dois maiores poluidores mundiais, China e Estados Unidos, representam mais de 50% das emissões de gases de efeito estufa e eles sabem que algo precisa ser feito, ou seja, agora se tornou uma obrigação fazer não pelo bem, mas pela sobrevivência do planeta.

E o Brasil nessa história toda ? Bem, recentemente o governo brasileiro prometeu acabar com as queimadas na região amazônica, por exemplo. Forçosamente, graças a crise econômica, o país reduziu sua produção e, com isso, o nível de emissão de gases-estufa.

Diante desse quadro, os países em desenvolvimento (entre os quais o Brasil) que até agora não assumiram obrigações de redução de emissões vão ser submetidos a fortes pressões para participarem do esforço global. A estratégia desses países – agrupados no assim chamado Grupo dos 77 – foi sempre a de adiar assumir responsabilidades em nome de vagas ideias sobre equidade e “responsabilidades históricas” dos países que se industrializaram no fim do século 19 e meados do século 20.

Os países industrializados podem ser responsabilizados por muitos dos males que afligem hoje a humanidade, como a herança colonial, a distribuição desigual da renda per capita e tantos outros. Tentar, todavia, compensar esses males usando a Convenção do Clima para isentar os países em desenvolvimento de esforços para evitar novas catástrofes, como as causadas por mudanças climáticas, tem um forte componente de ingenuidade e de falta de realismo.

Artigo elaborado à partir do texto do Prof. José Goldemberg, Professor Emérito da USP, e Secretário do Meio Ambiente da Presidência da República durante as Negociações da Rio-92